quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Adaptação de Brecht para o estado de exceção no Brasil

Primeiro foram uns manifestantes.

A Polícia Militar de São Paulo deteve 26 jovens antes de uma manifestação contra o governo Michel Temer na capital paulista no dia 6 de setembro. De acordo com o governo estadual, os adultos foram indiciados por associação criminosa, formação de quadrilha e corrupção de menores. Um juiz mandou soltar a todos, dizendo que não estamos mais em uma ditadura para prender alguém com o objetivo de simples averiguação.

Mas não me importei com isso. Eu não era manifestante.

Depois atacaram alguns jornalistas.

Irritado ao ter sua decisão criticada, o desembargador Ivan Sartori – um dos responsáveis por anular o júri do Massacre do Carandiru, que defendeu a absolvição dos policiais por acreditar que a morte de 111 presos ocorreu em ''legítima defesa'' – sugeriu que a imprensa de São Paulo recebe dinheiro do crime organizado. Isso ocorre pouco depois do fotógrafo Sérgio Silva ter sido considerado pela Justiça do Estado de São Paulo o único culpado por ser atingido por uma bala de borracha e perdido o olho esquerdo. O disparo partiu da Polícia Militar, cuja repressão a um protesto pela redução na tarifa dos transportes públicos, no dia 13 de junho de 2013, deixou um rastro de manifestantes e jornalistas feridos.

Mas não me importei com isso. Eu também não era jornalista.

Então, foram os direitos dos mais pobres.

O governo Temer, com o apoio de empresários, está tentando mudar a Constituição para impedir que investimentos públicos cresçam além da inflação. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que conta com apoio no Congresso Nacional, causará impactos em áreas como educação e saúde. Afinal, para tornar o ensino digno e acabar com as filas nos hospitais será necessário muito mais dinheiro. O governo federal tem apresentado medidas para combater a crise econômica que afetam a qualidade de vida dos mais pobres, mas não inclui ações como o aumento dos impostos dos mais ricos ou a taxação de dividendos vindos de empresas.

Mas não me importei com isso. Eu também não era pobre.

Aí, calaram alguns estudantes.

O Ministério da Educação vai implementar uma reforma do Ensino Médio por meio de uma Medida Provisória e não por um processo que deveria congregar Congresso Nacional e a sociedade. Com isso, ignora milhões de profissionais de educação, militantes que participam dos inúmeros fóruns e instâncias de educação no país e alunos que ocupam escolas em busca de uma voz. Ninguém nega que debater essa etapa de ensino é urgente, pois o desempenho é sofrível, o currículo é desinteressante e a evasão, monstruosa. Mas o governo preferiu silenciar o debate, baixando um “cumpra-se”, aplicando um novo modelo questionável e fora da realidade.

Mas não me importei com isso. Eu também não sou mais estudante.

Em seguida levaram alguns cortadores de cana e pedreiros.

O governo federal propôs uma Reforma da Previdência que estabelece uma idade mínima de até 65 anos para se aposentar, apontando que isso é a única saída para evitar que o país quebre. Com a mudança na expectativa de vida e na estrutura do mercado de trabalho do país é natural que se discutam mudanças na Previdência. Mas a mudança na lei está sendo conduzida a toque de caixa e sem o devido debate público. De acordo com alguns sindicatos, quem mais vai sofrer são os que começam a trabalhar muito cedo e atuam em atividades braçais, usando força física, e que, por isso, morrem antes do resto da população.

Mas não me importei com isso. Eu também não era cortador de cana, nem pedreiro.

Depois ignoraram a Constituição.

A maioria do Supremo Tribunal Federal decidiu, nesta quarta (5), que réus condenados pela Justiça podem ser presos a partir de sentença em segunda instância. Contudo, a Constituição Federal prevê o princípio da presunção da inocência, portanto, o direito à liberdade enquanto houver direito a recurso. Ou seja, quem não contar com uma boa banca de advogados para levar e garantir vitórias nos tribunais superiores, fica na cadeia. No final do ano passado, o STF havia decidido que é permitida a invasão de domicílio à noite para a realização de busca e apreensão se a autoridade policial tiver ''fundadas razões'' para suspeitar da prática de um crime. A Constituição Federal demanda ordem judicial prévia para a invasão de domicílio. Como afirmou Eloísa Machado, professora da FGV Direito SP, arrombar a porta de um barraco continuará a ser bem mais fácil do que arrombar a porta de uma mansão.

Mas não me importei com isso. Porque não preciso da Constituição.

Agora estão me levando.

Mas já é tarde. Porque não me preocupei com ninguém.


http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/

Coleção de links históricos e análises

Este post será destinado a armazenar analises atuais, sendo descrito por primeiro o periodo e em segundo os tópicos.

Analise de L Carrasco sobre o colonialisno e o pós-colonialismo moderno e a reação a nova ordem mundial - secs XV-XXI
http://jornalggn.com.br/noticia/o-neocolonialismo-pos-moderno-como-ameaca-ao-estado-nacional-por-lorenzo-carrasco

Sequencia de V Pomar sobre a luta de classes na história do Brasil (Pensando a longo Prazo)
http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12144:pensando-a-longo-prazo--legados-do-patrimonialismo&catid=14:wladimir-pomar&Itemid=88

1982, vitoria do Brizola e derrota da proconsult:
http://jornalggn.com.br/noticia/publiquem-hoje-antes-que-prendam-o-lula-por-armando-coelho-neto

Inicio Sec XXI, geopolítica e elementos causadores de mudanças:
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Os-10-pontos-que-explicam-o-Novo-Sistema-Mundial/6/36951

Desesperança no inicio do Sec XXI:
http://jornalggn.com.br/blog/arkx/guerra-de-mundos-exilio-por-arkx#comment-1000434

O porquê de espanhois, mexicanos, etc, terem ficado com o filé durante o entreguismo de FHC (1994-2002)!
http://jornalggn.com.br/blog/rdmaestri/quem-vai-negociar-com-uma-horda-por-rogerio-maestri
http://jornalggn.com.br/fora-pauta/o-terceiro-ajuste-o-outro-passo-do-golpe-por-sergio-medeiros

20out2016- Parlamento alemão discute o golpe no Brasil:
http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/No-Bundestag-Brasil-em-debate/4/37047

O 5 que não é 3 mas parece- Final 2016:
http://jornalggn.com.br/noticia/a-farsa-jato-e-a-%E2%80%9Cdisciplina-da-quebrada%E2%80%9D-por-armando-coelho-neto
Xadrez dos impasses pós-golpe
http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-dos-impasses-do-governo-temer

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Energia solar/nuclear x petroleo, a conta não bate. Solar / nuclear energy x oil, not match account.

É inegavel que esta "pausa" no consumo do petroleo tem origens geopoliticas e resultante da crise de 2008 que ainda não foi superada. Mas existe outro fator que o leitor deve levar em consideração:

- Quimicamente dizendo, o tempo para gerar produzir e acumular uma certa quantidade de energia sustentável  é infinitamente menor do que o tempo para liberar a energia que e o uso do petroleo oferece. A energia no petroleo é uma energia que foi acumulada durante bilhoes de anos tendo como supridouros o Sol e a energia nuclear do centro da Terra, ou seja, são enormes acumuladores que foram carregados durante bilhões de anos.

- A rápida velocidade com que a humanidade expandiu foi por causa do uso destas economias, desta poupança. Queimamos em 100anos aquilo que demorou bilhões de anos para ser acumulado. 

Para ter-se uma idéia deste desbalanceio basta imaginar um avião a jato comercial (peso  x potencia) e um avião com o topo de tecnologia usando energia solar. O avião a jato comercial leva centenas de pessoas e toneladas de carga a atravessar o Atlantico em algumas horas enquanto o avião solar mal consegue carregar o seu próprio peso e de mais um piloto e fazer a viagem em. digamos, dias.

-Pela razão exposta, os pacifistas e ecologistas podem pensar ingenuamente que a humanidade substituirá o uso do petroleo por energias sustentáveis sem grande mudanças sociais mas, é pura inocencia. Sem uma mudança RADICAL na forma de vivermos estaremos fadados á extinção!

English:

It is undeniable that this "pause" in oil consumption has geopolitical and resulting origins of the 2008 crisis that has not yet been overcome. But there is another factor that the reader should take into consideration:

- Chemically saying, time to generate, produce and accumulate a certain amount of sustainable energy is infinitely less than the time to release the energy contained in the oil. The energy in the oil is an energy that was accumulated over billions of years as a source having the sun and nuclear energy center of the Earth, ie, are huge batteries that were charged for billions of years.

- This saving was what enabled the rapid speed at which humanity has expanded. We burn in 100 years what took billions of years to be accumulated.

For you have an idea of this dis-balancing just imagine an airplane commercial jet (weight x power) and a plane with the top technology using solar energy. The aircraft commercial jet takes hundreds of people and tons of cargo to cross the Atlantic in a few hours while the solar plane can barely carry its own weight and the pilot and make the trip in, could say, days.

-by Exposed reason, pacifists and ecologists may think naively that mankind will replace the use of oil for sustainable energy without big social change but is pure innocence. Without a RADICAL change in the way we live we will be doomed to extinction!

keywords: sun, nuclear energy, humanity, way of life, sustainability.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Why US Had to Kill the Syrian Ceasefire ?

o desenrolar dos eventos na semana que passa deixou uma fumaça negra, densa no ar. Por que os EUA repentinamente "erram" um alvo e bombardeam um comboio de blindados com tripulação da ONU? Foi como acertar o tiro em Sampa e dizer que o alvo era Manaus. Por que?

Talvez o artigo possa esclarecer algo. Vamos conversar?

http://www.strategic-culture.org/news/2016/09/20/why-us-had-kill-syrian-ceasefire.html

A revolução colorida mais preto e branco da história !

Copia de artigo no "Pagina 12"  que fala mais sobre nosso sentimento de brasileiro com toda essa parvalhisse do Temer. É de temer, de tremê.

http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/subnotas/309889-79137-2016-09-21.html

Por Eric Nepomuceno
El discurso que Michel Temer hizo en la Asamblea General de la ONU fue su segundo gran intento de presentarse a los ojos del mundo como nuevo líder de la mayor nación latinoamericana y una de las nueve principales economías del planeta. Una oportunidad de oro para legitimarse en el puesto conquistado gracias a un golpe institucional que destituyó a la mandataria elegida por la mayoría de los votantes en 2014.

El primer intento ocurrió hace poco, durante la reunión del G-20 en China. En aquella ocasión, hasta en la foto oficial del encuentro Michel Temer quedó aislado: el ceremonial lo estacionó a un metro del grupo de los demás participantes. El tan soñado registro de un apretón de manos con algún jefe de Estado de primera línea quedó en el agrio territorio de los deseos irrealizados.

El segundo intento tampoco resultó. Pese a todo lo que hizo la diplomacia de su gobierno, ni siquiera hubo respuesta de la Casa Blanca para el pedido de un “encuentro informal” con Barack Obama. Obama ni siquiera se dignó a estar en el auditorio imponente de la ONU cuando Temer empezó a leer, con voz monótona y solemne y aire de mayordomo de película de terror, el discurso que alguien escribió. No escuchó una sola de sus palabras vacías.

Para cerrar con nubarrones una jornada gris, las delegaciones de seis países latinoamericanos –territorio en que Brasil debería tener peso específico– abandonaron el recinto: Ecuador, Bolivia, Costa Rica, Venezuela, Nicaragua y Cuba.

Con sus modales de cabalgadura indócil, el canciller José Serra dijo a los periodistas que el impacto de esa actitud en la imagen externa brasileña fue “igual a cero”.

Es increíble la capacidad que Serra demuestra, a cada viaje, de superarse en inepcia y grosería. Basta recordar que hace dos días, en una entrevista concedida en Nueva York, tuvo inmensa dificultad (el entrevistador lo ayudó) en recordar a qué países corresponde la sigla ‘BRICS’. Empezó bien, mencionando Brasil, Rusia e India. Pero al llegar a la ‘C’ dijo Chile. Y no hubo santo en el cielo capaz de hacer que supiese que la ‘S’ corresponde a Sudáfrica. Con semejante encargado de las Relaciones Exteriores, el gobierno encabezado por Temer difícilmente obtendrá, fuera de las fronteras, la legitimidad que intenta desesperadamente alcanzar.

Todo en Temer es un desastre. En vísperas la apertura de la Asamblea de la ONU, dijo que Brasil abriga a 85.000 refugiados. Mentira: son 8800, según datos oficiales del mismo gobierno. Además, olvidó un detalle: había un programa listo para ser implementado por Dilma Rousseff para acoger refugiados sirios, y fue uno de los primeros a ser desarmado tan pronto él asumió, todavía como interino.

Su discurso, plagado de clisés y frases vacías, atropelló la verdad de manera infame en una de sus afirmaciones. Dijo el presidente golpista que llevaba al auditorio de la ONU su “compromiso innegociable con la democracia”. Bueno, hay que reconocer que es imposible negociar lo que no existe.

Reiteró lo que dicen por aquí sus cómplices de la prensa hegemónica: “todo transcurrió dentro del más absoluto respeto al orden constitucional”. Sería verdad, pero hubo en todo el proceso un pequeño detalle: la Constitución prevé la destitución de un presidente que haya cometido “crimen de responsabilidad”. Y no se pudo probar jamás que Dilma haya cometido crimen alguno.

Temer también afirmó en su discurso que Brasil vive un proceso de “depuración de su sistema político”. Otra mentira. Dice el diccionario que por “depuración” debemos entender “eliminación de la suciedad o impureza de una sustancia; proceso por el cual el organismo elimina sustancias nocivas o inútiles”.

Si en mi país estuviéramos viviendo un proceso semejante, él y sus aliados ya estarían eliminados.

Si mi país fuese un organismo humano, sus riñones ya habrían mandado a Temer y sus acólitos a otro destino.

O homem como lobo do homem e sua extinção. Abolição do trabalho.



Em toda a história social do homem, ao mesmo tempo em que o homem é o predador do próprio homem, o homem (outro) é o parceiro que permite a produtividade e conseqüente alivio do trabalho (no sentido estrito da palavra, pois que no laboro o amor esta presente).

Mas vivemos dias singulares, o trabalho que defino como aquela necessidade dos seres agruparem-se para aliviar a carga do "dia a dia" foi abolido e é muito inocente aquele que não enxerga. O trabalho só fará sentido agora no sentido do laboro, pares que desejam um objetivo comum.  O que dizer se a classe que esta levando a melhor, tem capital, tem cultura e objetivos comuns de se perpetuar se conscientizasse que de fato o trabalho foi abolido e que a única alternativa, no momento, é a servidão??? Por que servidão? A outra "alternativa" é deixar ao  sabor do vento os miseráveis e sua fome!  Como TODA "ferramenta" foi extraída, a opção para este lúmpem é a morte a míngua (vide África).

Mas ainda não chegamos a este ponto, pois o capital ainda não está totalmente internacionalizado e ainda existem guerras pela hegemonia da burguesia (vide guerra fria 2.0). Logo a guerra ainda é uma alternativa para a hegemonia da classe burguesa, mesmo que para isso ainda seja necessário o "trabalho". Mas não há mais como compatibilizar este movimento por causa de um fator que até então não existia: o fator CLIMÁTICO, o meio ambiente!!!  O relógio foi disparado a partir da década de 80 quando o planeta começou a dar os primeiros sinais de insolvência!

Resumindo:
1- Trabalho no sentido social foi abolido, restou apenas o laboro, mas o laboro só tem sentido quando existe amor

2- A classe burguesa, para ver-se livre de vez do trabalho, precisa re-estabelecer o conceito de servidão. Sem a servidão, nos dias atuais, a alternativa é a morte por inanição!

3- O fator determinante para o re-estabelecimento da servidão é a hegemonia burguesa, mas ela ainda tem "concorrentes" e por isso a necessidade da guerra, e conseqüentemente a necessidade do trabalho (work, atividade que gera capital de uma maneira mecânica)

4- Mas agora o problema ambiental disparou o relógio para a revolução ultima sob o ponto de vista do capitalismo: capitalismo com servidão, a separação definitiva das classes.


Conclusão: as classes burguesas estão atuando  desesperadamente para acabar com suas diferenças pois são esta diferenças que não permitem a hegemonia (redundância) e a abolição ultima do trabalho.  

E, se a guerra não terminar com todos, o meio ambiente dará conta daquilo que os humanos não conseguiram ultrapassar: a extinção, pois o homem continua o lobo do homem.


PS: desculpem-me a falta de referencias, trata-se apenas de uma tese e espero desenvolve-la.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

What is the bottom line to a people raise for their rights???

For colleagues to understand WHERE Brazil travels on, below a text from journalist commenting (*) the incident where a former minister was arrested out in a hospital with his sick wife.


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The philosopher Vladimir Safatle gave an interview to the DCM program at TVT in which formulated a reflection on the division of our society.

"Brazil faced once and for all that is not a country. It is completely divided. It has never been a country. Only occupy the same territory, "he said.

"We can not even form a unified narrative of the military dictatorship, a red line saying 'here' not pass and this will never take place."

This limit has not been established in 64 coup and apparently not the abuse of Operation Lava jet. We are, it seems, the land of anything goes.

The amount of people applauding the omnipotence of Sergio Moro and his men for months, in the name of justice, it is a worrying sign.

It's all cool, the institutions are working. To be an obvious example, the Holocaust was legal in Germany.

Every citizen should be guaranteed a chance to defend themselves against the state.

For those who are happy with the authoritarianism of the show, the question to be asked is, and when you? And when with your family?

And if your lawyer is bugged?

And your your child or your parent are conducted coercively to a police station?

And if your mother or your wife have a leaked process?

And if you're stuck in a hospital, while following someone who is undergoing a delicate treatment?

The Mantega lawyer pointed out that "public and individual freedoms are sequestered in Brazil and the captivity of them is in the state of Parana in Curitiba".

We reached the age where some are more equal than others. That's what they wanted?

The limit that was not in the narrative the dictatorship frayed still not exist today. A healthy society would have put a stop.

But Brazil is not a healthy society.


(*)  http://www.diariodocentrodomundo.com.br/aos-que-festejam-a-prisao-de-um-homem-num-hospital-e-quando-for-voce-por-kiko-nogueira/


português:

O filósofo Vladimir Safatle deu uma entrevista ao programa do DCM na TVT em que formulou uma reflexão sobre a divisão da nossa sociedade.
“O Brasil encarou de uma vez por todas que não é um país. É completamente dividido. Nunca foi um país. Apenas ocupamos o mesmo território”, disse.
“Nós nem sequer conseguimos constituir uma narrativa unificada sobre a ditadura militar, uma linha vermelha dizendo que ‘daqui’ não passará e isso nunca mais ocorrerá”.
Esse limite não foi estabelecido no golpe de 64 e, aparentemente, nem com os abusos da Operação Lava Jato. Nós somos, ao que tudo indica, a terra do vale tudo.
A quantidade de gente aplaudindo a onipotência de Sérgio Moro e seus homens há meses, em nome da Justiça, é um sinal preocupante.
É tudo legal, as instituições estão funcionando. Para ficar num exemplo óbvio, o Holocausto era legal na Alemanha.
Todo cidadão deve ter garantida sua possibilidade de se defender contra o estado.
Para quem está feliz com o show de autoritarismo, a pergunta a ser feita é: e quando for com você? E quando for com a sua família?
E se o seu advogado for grampeado?
E seu o seu filho ou o seu pai forem conduzidos coercitivamente a uma delegacia?
E se a sua mãe ou a sua mulher tiverem um processo vazado?
E se você for preso num hospital, enquanto acompanha alguém que está sendo submetido a um tratamento delicado?
O advogado de Mantega apontou que “as liberdades públicas e individuais estão sequestradas no Brasil e o cativeiro delas é no estado do Paraná, em Curitiba”.
Chegamos à era em que uns são mais iguais que outros. Era isso o que queriam?
O limite que não houve na narrativa na ditadura se esgarçou continua não existindo hoje. Uma sociedade sadia já teria dado um basta.
Mas o Brasil não é uma sociedade sadia.